Já pensei algumas vezes em escrever coisas maiores e mais relevantes, mas agora percebo que essa minha empreitada está já, antes de começar, fadada ao fracasso, já que meus textos surgem assim: de estímulos forjados por instabilidade psicológica, no meio da madrugada, que é um lugar especial onde fico sozinho com meus pensamentos egoístas.
Os dias estão vindo numa velocidade assustadora. Sinto-me num daqueles filmes da sessão da tarde nos quais o veículo perde o freio. Na verdade, a cada dia que passa inclino-me mais a acreditar que os dias são uma maneira carinhosa de mascarar o desastre que é nossa relação com o tempo.
Desde que visitei esse blog pela última vez as coisas continuam bem parecidas: Ainda sou aquele cara de quase 20 anos perdido numa cidade bem maior do que seus sonhos que busca desesperadamente ocupações para evitar sua mente masoquista de pensar. Mas confesso que fiz progressos. Apesar de nenhuma grande mudança, sinto-me feliz e estou cobrando bem menos de mim. E por mais incrível que possa parecer, as coisas estão dando certo - umas mais que outras.
Em resumo: Muito tempo na estrada, um monte de saudade de pessoas que eu já nem conheço tão bem, meias relações esperando minha atitude e bastante junk food, tudo isso regado ao bom e velho som da MPB empoeirada, lotada de charmoso ruído estático. Um mundinho meu, onde eu faço todo sentido e posso me dar ao luxo de reclamar a grandeza dos meus problemas sem me preocupar com outros sofredores. Não sou muito diferente deles, já que todos nós, no fim das contas, estamos sozinhos.
Boa sorte, pra mim e pra você.